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História da responsabilidade socioambiental
Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
 

Cabe-nos nesse tema voltarmos à Grécia Antiga de Platão e Aristóteles para tentarmos entender como se deu a evolução humana mediante a natureza e o meio ambiente em que vivemos, tentando desta forma buscar uma resposta para o que é a responsabilidade social, tanto falada em nossos dias. Na Grécia Antiga existia uma relação de espanto pela natureza (desconhecida, por isso mesmo incompreendida) por uma tentativa muito insistente de explicar racionalmente o ambiente à sua volta, quando se vivia em um mundo baseado em explicações míticas. É dessa insistência que nasce na Grécia do séc. VI a.C. uma nova forma de reflexão sobre a natureza (phisys), sobre os homens e seu universo: a filosofia.

 

Ao fim da Idade Média Cristã e da sociedade feudal houve uma nova revolução nos pensamentos sobre o natural e a natureza, no mesmo nível da promovida pelos gregos. Agora, a natureza não necessitava mais ser descoberta, mas sim conhecida e dominada para servir aos anseios do homem. Se antes o essencial era discutir a relação homem/Deus, ficando a natureza à margem, agora o homem é a preocupação principal.

 

Assim, o olhar sobre a vida tornou-se rígido e mecanicista e a postura frente à natureza é bem outra, diferente daquela que tinham os Antigos e os Medievais. A crença cega na razão e na idéia do progresso, que prometia a emancipação individual e geral do ser humano, entrou também em crise. Já não é mais possível manter a idéia simplista de que o progresso técnico, econômico e científico nos trará progressos sociais, políticos e morais, mesmo porque a noção de progresso que ainda vigora põe em risco o equilíbrio ambiental do planeta.

 

Essa mudança implica uma reestruturação profunda nas estruturas e instituições sociais. Chegamos, portanto em um pensamento muito semelhante ao do Séc. XXI, que vivemos hoje. De acordo com uma pesquisa de 2006 do Instituto Akatu, 33% dos brasileiros já têm uma percepção, como consumidores, que vai além daquela economia imediata na hora de consumir. É através do consumo consciente que podemos contribuir para o comércio justo e para a sustentabilidade. Isso é exercer uma cidadania e uma ética, como regido em nossa filosofia ambiental hoje.

 

Outro dado da pesquisa aborda a disposição do consumidor em premiar ou punir empresas através da sua decisão de compras. No Brasil, 30% dos consumidores disseram que já fizeram ou pensaram em fazer isso alguma vez, ou seja, já tomaram a decisão de compra levando em consideração a vontade de prestigiar uma empresa socialmente responsável ou deixaram de comprar porque a empresa não tem atitudes corretas. Em países como Austrália, França e Alemanha, esse número chega próximo a 50%. Por outro lado, hoje sabemos que a humanidade como um todo consome 25% mais do que a Terra é capaz de sustentar.

 

A história do desequilíbrio ambiental caminha junto com a tensão entre o interesse público e o privado. Nosso princípio do equilíbrio ecológico está no art. 225 da Constituição Federal. Cabe a cada um de nós e a nossos representantes oferecermos um novo modelo à interpretação dos direitos individuais, da dignidade da pessoa humana, da atividade econômica e da propriedade.

            

Responsabilidade socioambiental, portanto, não se restringe aos arredores das empresas e das comunidades. Podemos concluir que responsabilidade socioambiental é uma filosofia, uma escolha de ser e estar no mundo, que inclui ética, respeito, cidadania e solidariedade.

 

Leia Mais:

 

Ø       A Bioética e sua relação capital x trabalho

Ø       O Abandono das Águas

 

Por: Redação

 
 
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